Análise e Produção de Texto
Análise e Produção de Texto
Leitura e análise do Poema
Autopsicografia, de Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
O que é uma Psicografia?
O que significa o prefixo "auto"?
É possível dizer que com o título "autopsicografia", o autor pretende abordar algumas das suas características psicológicas. O poeta mencionado nesta obra poética é, portanto, o próprio Fernando Pessoa.
Logo no primeiro verso, Fernando Pessoa sentencia: "O poeta é um fingidor". Qual sentido conotativo para o adjetivo "fingidor"?
Vamos refletir!
Segundo o dicionário, fingir vem do latim fingere e significa "modelar na argila, esculpir, fabricar, reproduzir os traços de, representar, imaginar, fingir, inventar, criar".
Agora, que tal pegar a primeira estrofe e substituir as palavras derivadas de "fingir" pelos outros termos pesquisados.
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Poeta Possesso X Poeta Artífice
A Metalinguagem
Analise as imagens abaixo:
Autorretrato como pintor, de Vincent van Gogh
Cena do filme A invenção de Hugo Cabret
Fotografia de uma pessoa tirando fotografia
WATTERSON, Bill. Calvin & Haroldo
Considerando o poema "Autopsicografia" e as imagens analisadas, qual seria a definição de Metalinguagem? Explique de que forma ela ocorre em cada exemplo estudado.
A Metalinguagem, a Intertextualidade e a importância da referência, da leitura e do conhecimento de mundo.
Escrever é o exercício de reler a vida, ou, partes dela, ao menos. Partes que se ramificam infindas em solo fértil. Onde se faz húmus da leitura. Leitura do que lemos, leitura do que vemos, leitura do que ouvimos, do que sabemos, do que sentimos, do que vivemos.
Por trás de um escritor há sempre a sombra de um assassino, um olhar vidrado de um vilão ao vingar-se, as severidades de um rei obstinado, repreensões de madrastas repressivas, lágrimas das virgens rejeitadas, a pureza de um riso pueril e maroto, o nobre sangue dos heróis com espada em punho e os corriqueiros passos leves do dia-a-dia de um João Comum.
A vida impressa num mundo de papel, onde percorre a tinta na trilha celulosa.
Mas...
As aves que avoam lá na vida, não avoam como cá na trilha, pois as que cá avoam, projetam as que lá o fazem. E a projeção das de cá, nada mais é que a representação das de lá! Assim é este tal, tão paciente, exercício do escritor “fingidor”, como diria o poeta do poeta.
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